Quanto custa, de verdade, a hora de uma pessoa da equipe.
Quase toda empresa de serviços já fez esta conta dividindo o salário por 160. O resultado costuma ser metade do custo real, e é sobre ele que a proposta é precificada.
A conta tem duas metades, e as duas costumam sair erradas
Custo por hora é uma divisão: quanto a pessoa custa por mês, dividido por quantas horas ela realmente entrega. O erro comum acerta o numerador pela metade e o denominador para cima, e os dois erros andam na mesma direção: fazem a hora parecer mais barata do que é.
A primeira metade: o custo mensal
O salário é a menor parte dele. Entram também:
- Encargos sobre a folha. INSS patronal (20% fora do Simples Nacional), RAT (1% a 3% conforme o risco da atividade), contribuições a terceiros do Sistema S (até 5,8%) e FGTS (8%).
- Provisões.O 13º é um doze avos do salário por mês (8,33%), e as férias com o terço constitucional somam aproximadamente 11,11%. Elas não são despesa “de dezembro”: são custo de todo mês, que só é pago depois.
- Encargos sobre as provisões. O 13º e as férias também têm INSS e FGTS. Esquecer disso é o descuido mais comum da conta.
- Benefícios. Vale-refeição, vale-transporte, plano de saúde, seguro de vida. São valor fixo, não percentual, e por isso pesam proporcionalmente mais nos salários menores.
As alíquotas variam com o regime tributário. No Simples Nacional a contribuição previdenciária patronal segue outra regra, e boa parte das empresas de serviços está lá. Peça os percentuais da sua empresa à contabilidade antes de fechar a conta: a estrutura acima vale para todo mundo, os números não.
A segunda metade: as horas que existem
Uma jornada de 44 horas semanais dá 220 horas mensais no contrato. Esse número não é o denominador, porque ele conta horas que não acontecem:
- Férias: 30 dias por ano, o equivalente a 2,5 dias por mês.
- Feriados: algo entre 10 e 14 por ano, conforme o município.
- Faltas, atestados e treinamento.
Descontando isso, a disponibilidade real fica perto de 168 a 176 horas por mês. E ainda não é o denominador final: dessas, só uma parte é faturável, que é o assunto do guia de utilização.
O erro, com número
Para uma pessoa com salário de R$ 8.000, fora do Simples e com benefícios de R$ 1.200:
- Pela conta errada: 8.000 ÷ 160 = R$ 50 por hora.
- Pela conta certa: salário mais encargos e provisões chega perto de R$ 12.300, mais R$ 1.200 de benefícios, dá cerca de R$ 13.500 por mês. Dividido por 168 horas: aproximadamente R$ 80 por hora.
Números ilustrativos, para mostrar a ordem de grandeza da diferença.
São 60% de diferença. Num projeto de 500 horas, isso é R$ 15.000 de custo que não estava na proposta. É por isso que o projeto “com 30% de margem” fecha no zero a zero.
Por que isso não é trabalho de planilha
A conta em si é simples. O que ela não aguenta é mudar: a pessoa é promovida, o benefício reajusta, alguém entra no meio do projeto, o dissídio sai. Uma planilha com o custo de março continua sendo usada em setembro porque ninguém lembra de refazer.
No ARC, o custo por hora sai de um rate card por nível de senioridade, e cada hora apontada entra no projeto com o custo de quem efetivamente a trabalhou. Quando o valor muda, ele muda em um lugar só.
Ver a conta rodando na sua operação
Em trinta minutos dá para montar o rate card da sua equipe e ver a margem de um projeto real aparecendo com as horas já apontadas.